domingo, 20 de setembro de 2015


ENTRE NUVENS E METEOROS  







Quero  descobrir se existe vida em marte.  Ja me  perdi e  parti  tantas vezes...  como um grão de areia, estilhaçado  na poeira cósmica, vagando na imensidão do universo. Desejo  me recompor e voltar ao meu planeta.  No caminho,  sou arrastada pela  inconstância da brisa, ressurgida  em cada verso.  Penso em como seria sair voando  pelo espaço,  de carona  com um  varonil meteoro, ou dependurada na rítmica cadencia de uma impetuosa estrela. Em meio a tantos pontos de luz, sou a minuscula partícula  brilhando incessante, oculta entre   nuvens,  de algodão ou fumaça, constantemente pairando  sobre o céu  em barulhentas cidades.  Me apago, tento dormir,  me despeço para sempre de todos estes  desconhecidos   planetas, vacilante  em cada  amanhecer, quando desperto  dos  sonhos. Embalada sobre esvoaçantes folhas, compreensivas, cautelosas...elas  me aconselham e conduzem  de volta pra casa. Misteriosa, a noite ressurge, espio-a  pela janela.  A lua,  estimula e encoraja,  sugerindo um solitário bailado. ao longe, observado por um previsível e lento cometa  que também espera que um dia  isso tudo acabe, ou que  o planeta terra  seja invadido  por evoluídos seres alienígenas.   
Denize Domingos  









Pampa de Luz  
(saudosos shows na reitoria  )

Gloria Oliveira, 



                                     
                                                    Pampa de Luz. Victor Hugo                                                                                                        



                                         



MILAGRE?
Não sei, foi a  estrela que caiu do espaço, aqui no meu blog, bem assim,  no  lado esquerdo




quarta-feira, 19 de agosto de 2015



                       Oração da Guerreira !





Não permita Deus, que eu abandone as brancas ovelhas, para enfrentar injustas batalhas, contra lobos, raposas,dragões invisíveis e gladiadores imperceptíveis em meio a inocentes paisagens. 
Que a vaidade e egos alimentados com agrados disfarçando a inveja, sucumbam a nobres sentimentos, desnudando carapaças forjadas em preconceito e cinismo. 
Que as rígidas armaduras e escudos protegendo incógnitas sentinelas a espreita de oportunidades de ataque, não destruam pontes e elos, ligando caminhos e destinos. 
Que eu tenha sabedoria, grandeza,serenidade, e discernimento para identificar meus inimigos, me protegendo deles, os vencendo, sem inebriar meus olhos,confundindo minha certeza, empunhando minha espada contra quem pretende me proteger. 
Que eu use sempre minha força, determinação, entusiasmo, criatividade e talento para criar mágicas realidades paralelas a este mundo insensível  e competitivo, conduzindo meu rebanho por caminhos encantados, aumentando-o a cada dia. 
Que este mágico portal, onde emana meus pensamentos, filtre também os teus, que me visita ou espiona, trocando nossas energias, transmutando-as em compreensão mútua de diferentes realidades. Pois a missão de um artista, não difere do pastoreio, acertando passos, abrindo chagas com conceitos ou tosas, resultando em novelos nas mãos de hábil   tecelã que fara tudo valer a pena. 





Deitada na grama, debaixo da  saia rodada ela guarda seus  desejos , que não foram  proibidos. Nas ruínas de uma realidade distante,  sobrevivem alguns  guardiões do passado, lembrando de um heroico e livre   exercito de homens e mulheres que viveram e defendem   os mesmos sonhos.


                                    



The Rose
Janis Joplin

domingo, 28 de junho de 2015

    Retornando a Terra Santa


                A Despedida  da Brisa do Vale 

Deixarei  que te libertes das paginas do livro, abrindo a janela, indulgente, te verei partir, encorajando teu  voo. Ainda assim, esse difícil e altivo gesto, poderá gerar traiçoeiros protestos, daqueles que sentem-se ameaçados,  evitando  escutar  teus  suaves sussurros. Sei o quanto as muralhas do vale te represaram, oprimem...  e o rigor do inverno  castiga  tua indefinida forma, tentando molda-la,  apresando assim,  teus leves passos em direção ao infinito. Desejo-te serenidade  e sabedoria ao reencontrares   em teu caminho,  aqueles que não  decifraram tuas mensagens, dizendo-lhes não  tratar-se  de enigmas, mas apenas teus sonhos, derramados  como perolas na areia. Agradeça a cada pessoa que foi gentil contigo, e aprenda com aquelas que te fizeram algum mal, pois estas, te tornaram mais forte. Retorne ao deserto como quem renasce do ventre materno,  sabendo  não ter sido um milagre gerado do barro  , mas da inconstância  das tempestades, lançando ao universo infinitos  grãos de areia. Esta surreal  simbiose, emocionada despedida, rompe o elo entre   criador e criatura, liberta a autora, encerrando um longo ciclo, possibilitando reinventar-se criando sempre novas histórias.



Denize Domingos 












                                           Musica Aleluia-Hebraico 








sexta-feira, 12 de junho de 2015


                                                       


                            No Mundo das Fadas 



É difícil  criar belas historias surrealistas, sem romper o elo opressor da realidade. E muito fácil  prender-se  dentro da ficção, como se o mundo inteiro, fosse paginas de um livro, se abrindo  em possibilidades. Feito a toca de um coelho, protegida  apenas com um  transparente véu. 























...Entrou  na floresta, surgiu uma fada de dentro da toca. Não  lembrou  de   nenhuma  oração. A fada  lhe  diz que pode ser  um pedido: 
Então...    antes de  lembrar-se   da culpa, fome, guerras, doenças... A sabedoria   das Deusas leram o seu penamento: 
 -Que eu conquiste o direito e a magia, de transitar livre em dois mundos, colhendo os frutos da terra, que me são oferecidos, sem iludir  ou ferir alguém".






                    Dance of the Wild Faeries - Wendy Rule









Dança Das Fadas Selvagens
Caminhei sozinha para a floresta numa noite
Conduzido por uma estranha música para ouvir
E segui o brilho de uma luz cintilante
Que parecia ficar mais distante enquanto eu me aproximava

A floresta estava viva com a fragrância da primavera
Mas o inverno estava em todo lugar claro a se ver
A lua brilhava e um morcego voando
Me chamou mais perto e me disse

Uma clareira perto da floresta você encontrará
Um banquete fabuloso, uma baile de fadas
Se você fechar os olhos e abrir a sua mente
O véu desaparece e você vai ver tudo

Vem brincar como as fadas selvagens brincam
Em um círculo mágico, um anel de fada
Você não vai querer sair e para sempre você ficará
Onde a visão é clara como a primavera

Venha e dance a dança das fadas selvagens
Girar em um círculo tão rápido como a luz
Uma vez que você começar, você está preso em um transe
E o mundo pode envelhecer em uma única noite

Quando eu fechei os olhos para a luz cintilante
Toda a memória desapareceu e eu pude ver
Que um círculo de cogumelos de vermelho e branco
E uma miríade de fadas me cercou

Além de todo o espaço e além de todos os tempos
Com asas leves as fadas voam
Com uma alegria desconhecida para a música sublime
As fadas dançaram, e lá eu dancei

Vem brincar como as fadas selvagens brincam
Em um círculo mágico, um anel de fada
Você não vai querer sair e para sempre você ficará
Onde a visão é clara como a primavera

Venha e dance a dança das fadas selvagem
Girar em um círculo tão rápido como a luz
Uma vez que você começar, você está preso em um transe
E o mundo pode envelhecer em uma única noite

Aqueles que nos procuram certamente nos encontrar
Veja o rastro que deixamos atrás de nós
Alguns perplexos, alguns iluminados
Alguns são bravos, alguns estão com medo

Somos gentis ou estamos vicioso?
Veneno ou néctar delicioso?
Isso, minha querida, você vai descobrir
Fada inimigo, ou fada amante

Vem brincar como as fadas selvagens jogar
Em um círculo mágico, um anel de fadas
Você não vai querer sair e para sempre você ficará
Onde a visão é clara como a primavera

Venha e dance a dança das fadas selvagem
Girar em um círculo tão rápido como a luz
Uma vez que você começar, você está preso em um transe
E o mundo pode envelhecer em uma única noite

Caminhei sozinha para a floresta numa noite
Conduzida por uma música estranha e clara
Se acontecer de você passar quando a lua está brilhante
E os véus estão finos você vai me encontrar aqui
Se os véus estão finos você vai me encontrar aqui











quinta-feira, 11 de junho de 2015

                             


               A LAGARTA  ENCANTADA 







... Outono, abreviam-se   tardes,    prolongam-se  noites, a vida espera por nós, 
consentindo o aconchego  de uma  história. Ao acender a vela, sou salamandra, salta um dragão de dentro do livro. Meu corpo se aquece  no fogo de seus  pensamentos. Derrete o gelo que havia molhado as páginas em branco, a espera do final feliz, ou começo surgido das cinzas de uma fabula que ainda  ninguém inventou. 

Denize Domingos















 












terça-feira, 21 de abril de 2015



LENDAS  DE GRAVATAÍ 



Denize Domingos 

 Conhecendo Gravataí através  da ficção

este trabalho conta com o apoio da fundação de arte e cultura e prefeitura de Gravataí 




                        Resumo das lendas   com   textos adaptados para o curta metragem: A BRISA do Vale.    


O morro Itacolomi


Imponente e majestoso, o Morro Itacolomi  descende do romance encantado , entre  o formoso vale dos gravatas e a mais verdejante campina.  Apadrinhados pelo horizonte,  o casal  foi presenteado com  o mágico grão de areia, pertencente a primeira imigrante do vale dos gravatas.
Este  mágico  cristal , deu origem a uma rocha encantada, onde tupã,  numa noite estrelada esculpiu o seu filho.
Inspirado pelo livre espírito da Brisa do vale, o deus dos índios acariciou as extremidades da pedra que aos poucos revelava o corpo de uma criança. O curumim foi concebido para semear harmonia e proteger o grande vale.
Mas seu povo indígena ameaçado, fugiu deixando o indiozinho preso na roxa. 

Pensando ter sido abandonado, ele chora entristecido.  Mas a alma da cigana que deu origem ao seu embrião, esteve sempre junto dele, nutrindo-se com as doces  lagrimas do curumim, e sussurrando lindas histórias ao seu ouvido. 







A Lenda do Menino de Pedra



Esquecido por seu povo, o filho de tupã derramava lagrimas de mel  fertilizando  a terra dos gravatas e adoçando  o coração das pessoas.  Eram guardadas  como relíquia em uma mística fonte.     
As pessoas  que nela bebem, são tocadas com grande ternura e compaixão.
As águas do vale tornaram-se as mais doces de todo o planeta azul.       Atraíram a seria iara mãe d’água que se escondem  em  numa mística cachoeira protegida por longa e prateada cortina.
 As lagrimas do menino de pedra adoçaram o magoado coração de Yara . Ela atraiu muitos homens para a morte com seu mágico canto mas ao lado do curumim só lembrava as canções de acalanto, para embalar o sono do menino.
O tempo passou,   ele tornou-se homem e conquistou o coração da sereia  Yara. Ela arrebatou-se de paixão  pelo filho de tupã.  juntos viveram um lindo sonho, mas cada um seguiu seu destino, que já estava traçado.
 O curumim tornou-se o maior guardião do vale e Yara  protege todas as águas doces do planeta. Ela é reverenciada e  recebe oferendas e mimos de seus irmãos de alma. A fé os veste de branco e a coragem da índia guerreira inspira cantos para os orixás das matas. 


A Lenda dois cachorrinhos de pedra




Depois que tupã esculpiu o seu filho na rocha ,criou outro lindo monumento simbolizando  o amor e lealdade.
Contam que uma linda menina,  a filha do so,l irradiava alegria e tinha os cabelos dourados como os campos de margarida .
Um dia,  ela fugiu de sua aldeia para brincar com o amiguinho  e se perderam.  
O indiozinho quis alegre-la e escalou a rocha dos dois Cachorrinhos para colher uma flor, e enfeitar os cabelos da menina.  Mas despencou la do alto,  e caiu morto aos seus pés segurando a despetalada flor.
Ingênua ,a menina esperava que o indiozinho despertasse e permaneceu eternamente ao lado dele.
Os espíritos das inocentes crianças correm de mãos dadas pelos campos.
Os amigos que escalam juntos a rocha do morro  Itacolomy, tornam-se inseparáveis. Quando alguém se perde no morro escutam o riso das crianças, que indicam o caminho de volta. 

      A Serpente  da fonte do forno


No coração da Aldeia dos Anjos,  pulsa a incessante vertente, onde  cobra boi tatá foi vista como uma grande bola de fogo, tentando assustar o menino de pedra.Inocente, o curumim  apiedou-se da horrorosa  criatura.Traiçoeira, ela pediu ao indiozinho que a transformasse em uma linda princesa das trevas, disse  estar   arrependia por ser tão malvada,  prometeu   reascender o fogo de antigas paixões, adormecidas em peitos apagados. 
 O indiozinho pediu ajuda a tupã, para transformar a  serpente, numa  linda moura encantada, que  seria   a teiniagua  do rincão dos   gravatás.
O curumim tentou fazer um feitiço, derramando  lagrimas de mel sobre a cabeça incandescente da cobra. Mas as chamas aqueceram  o gélido minuano, que enciumado, arrancou  as escamas da cobra transformando-a em uma linda princesa das trevas. 


O breu da noite, teceu com longos fios de ceda  as brilhantes melenas da moura caindo sobre os delicados ombros.  Uma sombra maligna, cobriu  o  sinuoso corpo da  criatura,   vestindo-a de  negra e transparente mortalha.
O perfeito rosto da jovem, tem cravejada na testa uma preciosa pedra, reluzindo em toda a furna.
A  princesa ,  atrai com seus lindos olhos ardentes e dissimulados,  incendiando   paixões com   dois candeeiros de fogo,  iluminando as chamas do inferno.

Inesperadamente, surgem brumas acinzentando frias tardes, em que  traiçoeiramente, a  moura enfeitiçada  arrasta para as profundezas da terra,  aqueles que  se ariscam a entrarem sozinhos na furna da fonte do forno.  



      A lenda do Anjo da Fonte




Certa vez,  houve uma prolongada estiagem na aldeia.Em 1862, a vertente de água natural  que guarda as  lagrimas do filho de tupã, foi cercada e coberta com uma abóboda em formato de forno, para proteger  o  local e abastecer  a cidade com água potável. Desde então ...
Todas as tardes, na hora do por do sol, um anjo vem saciar sua cede, bebendo destas águas .
Isso acontece diariamente, na hora da ave Maria, quando escuta-se acordes de flauta  sintonizado as   badaladas do sino da matriz.
A encantadora toada faz adormecer todas as crianças. Marotos querubins desprendem-se  da barra do manto de nossa senhora, indo  brincar com o anjo.
Aqueles que bebem as águas da fonte do forno, não conseguem abandonar a cidade. Quando se afastam, retornam sempre aquerencia, trazendo no peito muita saudade. Casais apaixonados que se espelharem nestas águas, mesmo que se separem, verão para sempre refletindo no espelho destas águas, o rosto da pessoa amada.






  As  lendas completas  e outros contos  encontram-se   nos livros: A lenda do Menino de Pedra e Mistérios no Rincão dos Gravatás 

Contatos  através do email   domingosdenize@bol.com.br 
 Denize Domingos 


sexta-feira, 17 de abril de 2015



EU SOU FILHA  DAS ÁGUAS 









Abre a roda,  que eu quero entrar

... Lembro, dos beliscões discretamente torcidos pela minha mãe na tentativa de Cesar meus floxos  de riso durante as monótonas e  prolongadas missas.   
Lembro, da  mão protetora e segura do meu tio Osvaldo, raspando os calos nas minhas mãos ainda tão pequenas ,quando  era levava  a  seções espíritas.  Sem me dispersar com  cantorias e senta levanta, sentia  a  presença  serena  e silenciosa de Allan Kardec , iluminando  irmãos, doutrinando espíritos...  

Mas nada se compara  com a emoção de ter  escutado  o chamado de Jurema,  congresso de  umbanda em cachoeirinha,  entrei  na roda,  senti  que nunca estive fora dela.  
Um pai de santo beijou minha mão e eu o vejo em todos os outros negros. Atabaques, tambores,  o ritmo mais brasileiro, batendo forte em meu peito.  Povo sofrido que canta, dança, tem fé. 
Falei pra minha mãe,  assídua  da Igreja São José Operário que eu queria entrar para a umbanda da linha branca. 
Ela não se surpreendeu, disse que  na madrugada  que eu nasci ela sonhou com uma  cachoeira saindo de dentro dela,  me segurando  nas águas, mas eu flutuava  na correnteza.  Entendi por ela ,tão rígida, nunca me repreendia quando eu ainda muito criança, fugia de casa para tomar banho de sanga. 
 Pai ateu , mãe e irmãs   católicas fervorosas, Marido Budista, filha Kardecista...  
                                     
                              Alguém tem que rodar a baiana nesta família.




                     Meu amigo da escada, tua madrinha esta ouvindo o chamado de Jurema.  













                        
                     Em cachoeirinha, 15 de novembro de 2014, dia nacional                 da    umbanda.