domingo, 5 de abril de 2015


ALINHAVANDO VOOS  



 
Delicadas gotas de chuva, rompiam o  silencio do lugar,  traduzindo gestos em  palavras. 

Mulher surgida das brumas, enebriastes meus olhos, percebendo-te miragem, dançando alegremente, acendendo meu ser. Tal lagarta em seu casulo, vês o mundo de cabeça para baixo. Então saibas:  É preciso voar! 
Mulher de orvalho: - ha quantas madrugadas teu hálito embaçou indiferente vidraça sem teus lábios provar? 
Lagarta encantada, haverá outras noites em claro. Serei teus segredos, e deslizando em mim teu corpo frio, ressuscitarei sonhos aquecendo  tuas asas, e cuspirás  salamandras de fogo. 





... E naquele alvorecer ,.. o sol   desfez  o austero  manto de geada que encobria  a mata , descongelando todos os seres. 

Denize Domingos 



quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015

Alinhavando Pensamentos

...  só se for do meu jeito, alinhavando   histórias de cabeça para baixo  










 Uma boa história, a maior herança 

A Brisa do Vale 

... Depois de tanto andar, enfrentando  noites frias e dias abrasivos,  uma grande  tempestade  moveu  areias,   fazendo  o deserto  encontrar-se  com o mar. Brisa sabia que suas mensagens escritas na areia  seriam   apagadas, e temia ser conduzida pelas  mãos do mar. Ela levava consigo apenas o mágico cristal,  recebido  de uma fada. O  marinheiro, nada mais possuía alem de suas vestes e um pergaminho com mensagens indecifráveis, almenos,  para uma beduína que  passou a vida desenhando  com  frágeis  galhos de mirra, em inconstantes superfícies. O homem do mar,  perdeu  seu barco na tempestade,  quase afundando com ele,  tentando  salvar  aquilo que  pensava  ser  o mapa de algo inestimável . O que fosse, ele dividiria com a beduína, sem dizer-lhe o que representava, esperando  buscarem juntos  as surpresas. Mas Brisa...  já tinha o seu tesouro  que a acompanhava  a muito tempo,  não podia abandona-lo.   Entre  areias e o mar, nem um abriu mão do que possuíam.  Brisa  sabia que  os caminhos da busca de um tesouro é mais importante  do que   todo o ouro que eles pudessem  encontrar. O marinheiro considerando  sua a maior  riqueza, partiu sozinho, naufrago de suas certezas, enquanto Brisa, se perdeu em miragens. Quando a fada do deserto entregou o cristal mágico a beduína, não disse-lhe que ela poderia pedir algo precioso que pudesse  guardar no coração.  Brisa quis ter certeza de que o marinheiro mesmo não  mostrando-lhe o mapa  do tesouro que procurava, se o encontrasse,  dividiria-o  com ela. Então, a beduína que temia o oceano por não saber navega-lo, permaneceu  por muito tempo a beira do mar, olhando para o infinito. Desenhou um barco na areia, sonhando  encontrar-se com o marinheiro , mas  tinha medo de ir até ele.  A beduína dormia na praia, escutando o barulho das ondas... até que um dia, foi surpreendida pelo  homem do mar, mostrando-lhe uma pequena tatuagem  em forma de estrela no  peito, dizendo a cigana que aquela joia fora feita para ela. Brisa,  nunca viu algo tão lindo, soube que estaria  para sempre marcada na pele do marinheiro, assim como ele, estaria presente  inspirando-a a  escrever mensagens na areia. Brisa esqueceu  da longa espera, e do medo das ondas revoltas,  mergulhou    em águas claras e profundas, apegada ao marinheiro, como se  fora ela, a  estrela do mar. 
                                                   


                                               


Uma joia mais preciosa 

do que a maior perola do mar



                                       


                                         
                                                       



                                                  



quinta-feira, 22 de janeiro de 2015

Alinhavando Pensamentos

... e  bordando auto estima




Ai ! Ai ! Ai! Minhas lindas, o bumbum é parte necessária e cobiçada do corpo, serve para muitas coisas. Mas o mistério... desperta curiosidade e interesse.  No galpão de funk, quadra de escola de samba, boate, sala de aula, salão de festas ou bordel:  valorizem a mercadoria.  Usem melhor o corpo inteiro, trabalhando com  charme, destreza e elegância, desenhando e sentindo cada movimento, sempre com a cabeça ereta, ou  acompanhando a movimentação do corpo,   expressando sentimentos, 
Sejam sempre  princesas, não dando motivos ou permitindo que zombem de vocês. Para isso, não se exponham em qualquer lugar, diante de pessoas que talvez, não as respeitem  da forma que  qualquer menina  e eterna gata garota merece. 

Maria da Penha jovem, apaixonada e feliz 

Minhas amadas, a  conquista dos direitos da mulher, é uma luta constante.   As vezes, vocês se  vestirão   para ficarem  mais lindas e atraentes para os seus amores,  e perceberão, que deveriam terem se armado para uma guerra.  É exatamente assim, a  estupida e antiga  guerra dos sexos. 
Os protestos feministas  continuam: Não queimem sutiãs, os mais sensuais, são usados como fetiche, pela industria da moda, sai muito caro.  Mas alguns modelos são lindos, valorizam o corpo. Tem os mais confortáveis,  de algodão. Ou  se preferirem, não  usem  roupas intimas, façam como  os gaúchos  machos, deixando  o bicho solto embaixo das bombachas. 

Quando  o coração de vocês disparar em frente do espelho, com  duvidas sobre  o que vestirem, por terem  muitas opções,  muito poucas, ou desejarem  agradar, vistam-se de confiança. A vida estará lhes esperando! 
Se aquela roupa decotada, justa ou muito curta, provocar a fúria  dos deuses, não digam nada, 
alem do esclarecimento: 
                                         -  ESTE CORPINHO ME PERTENCE !   
Se o seu amado, for  macho que se garante, vai  tomar nos braços o que é dele,  pedindo-lhe desculpas, dizendo que se sentiu inseguro, com medo de perde-la. Então, vocês escolherão juntos a roupa que vai vesti-la de felicidade e magia... se divertirão  juntos, no chão, na cama ou na festa. 
Não pense que o seu amor pode transformar a outra pessoa, talvez, melhora-la ou despertar  um demônio adormecido sobre  lençóis de seda. 
Não confundam amor e paixão. Um sentimento  não deixa dúvidas, constrói, salva... é universal, outro, queima como pólvora, e inspira musicas de corno e tragédias. 
                                           
                                             Na dúvida, não siga em frente
Textos: Denize Domingos



Sandy cantando lindamente. O amor respeita a verdade do outro 




Maria da Penha , sentada, pensando que estava enganada, foi baleada pelo companheiro. 

terça-feira, 2 de dezembro de 2014




Alinhavando pensamentos 




  ... E falando um pouquinho da difícil  arte do patchwork
       
Meu  presente de natal,   retalhinhos de mim para todos.





Projeto Conhecendo Gravataí através das Lendas


Amores, esta  é a ultima postagem do ano, e sei que vocês ainda não conhecem meu trabalho. Mas espero que um dia esta cena seja realidade: ser espiada por olhinhos  inocentes e  curiosos,  brilhando feito  vaga-lumes. Estou abrindo caminhos para chegar até vocês, através das minhas histórias , alinhavando  sonhos , costurados com esperança e carinho no coração de cada um. Desejo que sejam  para mim e para o mundo,  pedacinhos especiais, alegres e coloridos, fazendo  parte desta grande  colcha de retalhos que vocês  continuarão sempre  completando, substituindo  ou unindo  novas partes. E como um patchwork da vida, serão  retalhos individuais, agrupados  lado a lado, acomodados em diferentes cores e tecidos, compondo dinâmicas imagens. Algumas figuras  harmoniosas, permanecerão unidas, outras, provisórias,   serão substituídas no decorrer do tempo que transcende o imutável. Formas incompletas,  estarão integradas as demais, destoando do conjunto,  tocando com    nostalgia quem lembrar do vestido marcado em momento especial, do qual  uma parte de tecido se desmembrou. Este trabalho de unir, remendar e substituir pedacinhos, é como a arte da vida: Depende da habilidade de cada um, e a cada novo dia  será feito mais uma parte. Podendo sofrer danos, ser rasgada,  manchada...  A tarefa ponto a ponto, as vezes sera exaustiva. Agulhas quebradas, dedos machucados, fios de linha arrebentados, pelo próprio descuido ou maldade alheia.   Eternos recomeços ! Mas a cada ponto alinhavado, teremos mais destreza e segurança. Se não estivermos sozinhas, o trabalho será  mais leve, tornando-se   agradável  e prazeroso. E  sendo grande o bastante, a colcha agasalhará a todos, nem um inverno sera tão frio e nas tardes quentes  de verão,  ela   poderá ser usada como uma enorme  tenda cigana.  
Utilizar retalhos, emendando pedacinhos, é uma atividade milenarmente conhecida. Em diferentes épocas, terá  sempre  alguém  praticando esta arte.








O movimento hippie  entrou na minha vida pela tela da TV, quando eu era ainda criança.  As noticias da guerra no Vietnã, mortes, bomba atômica  mescladas com movimentos pacifistas, ideais de  liberdade, igualdade..,  propagadas em  lindas canções, me faziam pensar que nada daquilo fosse  real. Eu não conseguia acreditar que de um lado, pessoas se matavam,  outras, viviam um encantado sonho coletivo.  Eu queria saber se eles existiam de verdade. Minha irmã mais velha me xingava, dizia que eu era  burra.   Nos anos 70, com treze anos  fui numa feira de artesanato, conheci um pedacinho de um universo mágico, com   todas as portas abertas. Fiquei a tarde inteira conversando. Desejei  fazer parte daquele mundo paz e amor. Perguntei se  eu podia entrar. Me responderam que meu sorriso era a minha senha.
Neste  natal e enquanto durar a humanidade, espero que todos os  desejos bons se realizem,  os sonhos de paz , amor fraternal,  se transformem num  sonho  coletivo e que ele nunca acabe.










Nesta máquina de costura, nunca alinhavei pensamentos,  lembro de uma mais antiga. Ouvia o barulho dos pedais rangendo, enquanto uma  irmãzinha pedalava e outra contava belas histórias .

Este é  parte do meu universo, vinde a mim oh criancinhas!

Denize  Domingos


quarta-feira, 19 de novembro de 2014


Alinhavando Pensamentos 


...e conhecendo gravatai atravez das lendas

Quando alinhavo pensamentos, me  enrosco nas massarocas dos  fios que vou tecendo. Como uma aranha, presa na própria teia,  me perco   nas histórias ou me encontro  dentro delas. Só sei que faço parte desse mundo inventado. Sou um pedacinho   desta imensa colcha de retalhos costurada dia a dia. Queria que ela fosse alegre, colorida e grande o suficiente para agasalhar o mundo inteiro. 








Negras sombras 

A Mucama do solar dos Bina 

Aqui na aldeia dos anjos em época de negras sombras, alguns escravos serviram a bons senhores, também tiveram apoio de solidários abolicionistas.Mas a pele escura marcou-lhes mais que o ferro em brasa, com o símbolo de seus  poderosos senhores.  Os amores vividos pelos  negros em senzalas, a eles não pertenciam. Só a dor permanecia em seus peitos, quando eram afastados das tristes escravas. Também arrancavam de seus braços as pequenas cativas crianças, para as mães amamentarem  os filhos brancos, nascidos nas casas grandes. No porão do antigo solar dos bina, onde abrigavam os escravos, conta-se que em noites tão escuras quanto a pele do mais puro descendente africano, escuta-se a triste cantiga de uma gentil mucama que ninava uma linda sinhazinha chorona. A escrava teve seu filho vendido a um capataz de longe, para ela  cuidar da menina chorona. A criança tinha fortes dores de barriga por que o leite branco da mucama negra, azedou. Ficou salgado como as lagrimas vertidas de seus tristes olhos, deslizando em seu rosto, caindo sobre seus peitos, sugados pela pequena sinhazinha, enquanto ouvia tristes canções de ninar.





 A canção da sinhazinha

Foi simbora o capataz 
Carregando um fio meu

Sinhazinha num sabia  
meu leite num era seu.

Liberdade, io num tem
Esperança, se perdeu.

Noite quente, 
fica fria 
se não embalo fio meu.

Io não durmo
Io só choro
Choro com a sinhazinha.

Coitadinha num sabia
O leite num era seu. 

Preto velho 
mãe Maria 
traz um dia 
fio meu

Faiz  capataz devolve ele pra mim.

Denize Domingos 


                                    Luiz Gonzaga 

                                                              Assum preto




domingo, 9 de novembro de 2014

ALINHAVANDO    PENSAMENTOS  

... e autografando na feira do Livro,  sábado dia 08, usando  o vestido que eu fiz, com babados  e rendas, na fabrica de fantasias.  




Hoje,  não tenho vontade de escrever sequer  uma dedicatória ou pregar um botão.  As vezes , não consigo  costurar  panos   nem alinhavar pensamentos, porque  quebra  a agulha ou  arrebenta a  linha. Para quem  gosta de criar  histórias  ponto a ponto, isso é pior do que espetar o dedo. 








quinta-feira, 30 de outubro de 2014

Alinhavando Pensamentos 

Denize Domingos 


As Aventuras de Luíza

Uma Noite de Trovoadas

A noite prometia ser longa, trovoadas e raios ameaçavam    partir o céu em mil  pedaços. A pequena cozinha no fundo da casa toda em madeira, tornava-se mais aconchegante quando os pais de Luíza  reuniam-se  com as  filhas em torno da mesa. A janta era habitualmente  servida antes da novela das oito, mas naquela noite, foi diferente. Uma grande tempestade  aguçava a imaginação de Luíza. A ansiedade provocada  pelo barulho da chuva, vento, ranger de galhos, estalos das taboas, chilhindar das folhas, era como ouvir a sinfonia de uma emocionante aventura. Tudo pareceu    ganhar  vida, no momento em que  um estrondoso barulho, apagou todas as luzes . Logo foi acesa uma vela. O casal sabia que o estrago na rede elétrica  tardaria a ser consertado. A refeição já estava pronta, e depois que todos comeram, a mãe de Luíza organizou a louça. O  pai das meninas, gostava de assustá-las formando sombras na parede. Mas apenas Luíza não percebia  que os coelhos, gatos , jacarés e outros animais  misteriosamente surgidos  nas paredes , eram  efeitos da habilidade com as mãos, que o pai, exímio  datilografo e desenhista, gostava de praticar.  Assustada, a menina via as irmãs rindo dela. Tentava disfarçar o medo que sentia daquelas extranhas criaturas sem contornos nem cor. O pequeno toco de vela, aos poucos, cedia lugar a negra cortina, cobrindo os brinquedos, rostos, moveis e as janelas, onde em dias ensolarados, a criança, com cinco anos, via a luz entrar, encorajando-a e convidando a desvendar  o mundo. Por mais que ela desejasse, não havia como evitar, era hora de todos irem dormir. A caminha com grades da irmã mais nova, foi destinada a Luíza, em troca de uma boneca e alguns gibis. Ali, ela sentia-se segura, sabia  que as sombras da noite não conseguiriam tocá-la. Para sua vergonha, ela fazia  xixi na cama. Olhava para o peniquinho ao lado, próximo, sem coragem de chegar até ele. Todos pensavam que   Luíza tinha o  sono pesado, ou problema nos rins, bexiga... Sem poder beber liquido antes de deitar-se, ela sentia sede e  custava a dormir. Naquela noite como de costume,  ficou  acordada até tarde, ouvindo o barulho da chuva, imaginando o frio que fazia lá fora, tapada embaixo das cobertas, tentando se esconder dos vultos que via passar diante dela. O vento, empurrava um galho de pessegueiro batendo-o compassadamente contra a  janela ao lado da cama. Luíza espantada, viu a veneziana se abrir, e passaram por um buraco no vidro quebrado, quatro pequeninos homenzinhos. Usavam roupas xadrez, longos chapéus, ficando todos ao lado  de sua cama, sem olharem para ela.  Estava acostumada a sentir medo, ver sombras semelhantes a  pessoas  moverem-se nas paredes, caminhando  pela casa.  Mas aqueles homenzinhos, ela nunca tinha visto e não a assustaram.   Ela os observou atentamente, durante os breves instantes que estiveram ao seu lado. Distraiu-se por segundos e tudo sumiu. Assustada, chorou, chamando a mãe, que  levou-a para dormir junto dela.  Novamente, a menina  viu os pequeninos, desta vez, olharam para ela, sem que percebesse  como eles foram embora. Assim que amanheceu, Luíza  acordou com os gritos do pai, perguntando quem havia rasgado uns documentos guardados em sua pasta. Luíza falou que os homenzinhos com pontudos chapeuzinhos, tinham rasgado os papéis ao lado dela, colocando-os picados dentro do peniquinho. O pai ficou muito intrigado,  não perguntou mais nada, saiu para o trabalho em silencio. A mãe, ouviu a menina  com atenção, beijou-a com carinho, dizendo que acreditava nela. Luíza nunca esqueceu deste sonho,  ou da visita que espera se repetir um dia. Ela cresceu acreditando em bruxas, fantasmas, duendes e fadas. Deixa sempre uma janela aberta para que possam entrar. 

Denize Domingos 























                              El sueño de las hadas