Delicadas gotas de chuva, rompiam o silencio do lugar, traduzindo gestos em palavras. Mulher surgida das brumas, enebriastes meus olhos, percebendo-te miragem, dançando alegremente, acendendo meu ser. Tal lagarta em seu casulo, vês o mundo de cabeça para baixo. Então saibas: É preciso voar! Mulher de orvalho: - ha quantas madrugadas teu hálito embaçou indiferente vidraça sem teus lábios provar? Lagarta encantada, haverá outras noites em claro. Serei teus segredos, e deslizando em mim teu corpo frio, ressuscitarei sonhos aquecendo tuas asas, e cuspirás salamandras de fogo.
... E naquele alvorecer ,.. o sol desfez o austero manto de geada que encobria a mata , descongelando todos os seres.
Denize Domingos
quarta-feira, 11 de fevereiro de 2015
Alinhavando Pensamentos
... só se for do meu jeito, alinhavando histórias de cabeça para baixo
Uma boa história, a maior herança
A Brisa do Vale
... Depois de tanto andar, enfrentando noites frias e dias abrasivos, uma grande tempestade moveu areias, fazendo o deserto encontrar-se com o mar. Brisa sabia que suas mensagens escritas na areia seriam apagadas, e temia ser conduzida pelas mãos do mar. Ela levava consigo apenas o mágico cristal, recebido de uma fada. O marinheiro, nada mais possuía alem de suas vestes e um pergaminho com mensagens indecifráveis, almenos, para uma beduína que passou a vida desenhando com frágeis galhos de mirra, em inconstantes superfícies. O homem do mar, perdeu seu barco na tempestade, quase afundando com ele, tentando salvar aquilo que pensava ser o mapa de algo inestimável . O que fosse, ele dividiria com a beduína, sem dizer-lhe o que representava, esperando buscarem juntos as surpresas. Mas Brisa... já tinha o seu tesouro que a acompanhava a muito tempo, não podia abandona-lo. Entre areias e o mar, nem um abriu mão do que possuíam. Brisa sabia que os caminhos da busca de um tesouro é mais importante do que todo o ouro que eles pudessem encontrar. O marinheiro considerando sua a maior riqueza, partiu sozinho, naufrago de suas certezas, enquanto Brisa, se perdeu em miragens. Quando a fada do deserto entregou o cristal mágico a beduína, não disse-lhe que ela poderia pedir algo precioso que pudesse guardar no coração. Brisa quis ter certeza de que o marinheiro mesmo não mostrando-lhe o mapa do tesouro que procurava, se o encontrasse, dividiria-o com ela. Então, a beduína que temia o oceano por não saber navega-lo, permaneceu por muito tempo a beira do mar, olhando para o infinito. Desenhou um barco na areia, sonhando encontrar-se com o marinheiro , mas tinha medo de ir até ele. A beduína dormia na praia, escutando o barulho das ondas... até que um dia, foi surpreendida pelo homem do mar, mostrando-lhe uma pequena tatuagem em forma de estrela no peito, dizendo a cigana que aquela joia fora feita para ela. Brisa, nunca viu algo tão lindo, soube que estaria para sempre marcada na pele do marinheiro, assim como ele, estaria presente inspirando-a a escrever mensagens na areia. Brisa esqueceu da longa espera, e do medo das ondas revoltas, mergulhou em águas claras e profundas, apegada ao marinheiro, como se fora ela, a estrela do mar.
Uma joia mais preciosa
do que a maior perola do mar
quinta-feira, 22 de janeiro de 2015
Alinhavando Pensamentos
... e bordando auto estima
Ai ! Ai ! Ai! Minhas lindas, o bumbum é parte necessária e cobiçada do corpo, serve para muitas coisas. Mas o mistério... desperta curiosidade e interesse. No galpão de funk, quadra de escola de samba, boate, sala de aula, salão de festas ou bordel: valorizem a mercadoria. Usem melhor o corpo inteiro, trabalhando com charme, destreza e elegância, desenhando e sentindo cada movimento, sempre com a cabeça ereta, ou acompanhando a movimentação do corpo, expressando sentimentos,
Sejam sempre princesas, não dando motivos ou permitindo que zombem de vocês. Para isso, não se exponham em qualquer lugar, diante de pessoas que talvez, não as respeitem da forma que qualquer menina e eterna gata garota merece.
Maria da Penha jovem, apaixonada e feliz
Minhas amadas, a conquista dos direitos da mulher, é uma luta constante. As vezes, vocês se vestirão para ficarem mais lindas e atraentes para os seus amores, e perceberão, que deveriam terem se armado para uma guerra. É exatamente assim, a estupida e antiga guerra dos sexos.
Os protestos feministas continuam: Não queimem sutiãs, os mais sensuais, são usados como fetiche, pela industria da moda, sai muito caro. Mas alguns modelos são lindos, valorizam o corpo. Tem os mais confortáveis, de algodão. Ou se preferirem, não usem roupas intimas, façam como os gaúchos machos, deixando o bicho solto embaixo das bombachas.
Quando o coração de vocês disparar em frente do espelho, com duvidas sobre o que vestirem, por terem muitas opções, muito poucas, ou desejarem agradar, vistam-se de confiança. A vida estará lhes esperando!
Se aquela roupa decotada, justa ou muito curta, provocar a fúria dos deuses, não digam nada,
alem do esclarecimento:
- ESTE CORPINHO ME PERTENCE !
Se o seu amado, for macho que se garante, vai tomar nos braços o que é dele, pedindo-lhe desculpas, dizendo que se sentiu inseguro, com medo de perde-la. Então, vocês escolherão juntos a roupa que vai vesti-la de felicidade e magia... se divertirão juntos, no chão, na cama ou na festa.
Não pense que o seu amor pode transformar a outra pessoa, talvez, melhora-la ou despertar um demônio adormecido sobre lençóis de seda.
Não confundam amor e paixão. Um sentimento não deixa dúvidas, constrói, salva... é universal, outro, queima como pólvora, e inspira musicas de corno e tragédias.
Na dúvida, não siga em frente
Textos: Denize Domingos
Sandy cantando lindamente. O amor respeita a verdade do outro
Maria da Penha , sentada, pensando que estava enganada, foi baleada pelo companheiro.
terça-feira, 2 de dezembro de 2014
Alinhavando pensamentos
... E falando um pouquinho da difícil arte do patchwork
Meu presente de natal, retalhinhos de mim para todos.
Projeto Conhecendo Gravataí através das Lendas
Amores, esta é a ultima postagem do ano, e sei que vocês ainda não conhecem meu trabalho. Mas espero que um dia esta cena seja realidade: ser espiada por olhinhos inocentes e curiosos, brilhando feito vaga-lumes. Estou abrindo caminhos para chegar até vocês, através das minhas histórias , alinhavando sonhos , costurados com esperança e carinho no coração de cada um. Desejo que sejam para mim e para o mundo, pedacinhos especiais, alegres e coloridos, fazendo parte desta grande colcha de retalhos que vocês continuarão sempre completando, substituindo ou unindo novas partes. E como um patchwork da vida, serão retalhos individuais, agrupados lado a lado, acomodados em diferentes cores e tecidos, compondo dinâmicas imagens. Algumas figuras harmoniosas, permanecerão unidas, outras, provisórias, serão substituídas no decorrer do tempo que transcende o imutável. Formas incompletas, estarão integradas as demais, destoando do conjunto, tocando com nostalgia quem lembrar do vestido marcado em momento especial, do qual uma parte de tecido se desmembrou. Este trabalho de unir, remendar e substituir pedacinhos, é como a arte da vida: Depende da habilidade de cada um, e a cada novo dia será feito mais uma parte. Podendo sofrer danos, ser rasgada, manchada... A tarefa ponto a ponto, as vezes sera exaustiva. Agulhas quebradas, dedos machucados, fios de linha arrebentados, pelo próprio descuido ou maldade alheia. Eternos recomeços ! Mas a cada ponto alinhavado, teremos mais destreza e segurança. Se não estivermos sozinhas, o trabalho será mais leve, tornando-se agradável e prazeroso. E sendo grande o bastante, a colcha agasalhará a todos, nem um inverno sera tão frio e nas tardes quentes de verão, ela poderá ser usada como uma enorme tenda cigana.
Utilizar retalhos, emendando pedacinhos, é uma atividade milenarmente conhecida. Em diferentes épocas, terá sempre alguém praticando esta arte.
O movimento hippie entrou na minha vida pela tela da TV, quando eu era ainda criança. As noticias da guerra no Vietnã, mortes, bomba atômica mescladas com movimentos pacifistas, ideais de liberdade, igualdade.., propagadas em lindas canções, me faziam pensar que nada daquilo fosse real. Eu não conseguia acreditar que de um lado, pessoas se matavam, outras, viviam um encantado sonho coletivo. Eu queria saber se eles existiam de verdade. Minha irmã mais velha me xingava, dizia que eu era burra. Nos anos 70, com treze anos fui numa feira de artesanato, conheci um pedacinho de um universo mágico, com todas as portas abertas. Fiquei a tarde inteira conversando. Desejei fazer parte daquele mundo paz e amor. Perguntei se eu podia entrar. Me responderam que meu sorriso era a minha senha.
Neste natal e enquanto durar a humanidade, espero que todos os desejos bons se realizem, os sonhos de paz , amor fraternal, se transformem num sonho coletivo e que ele nunca acabe.
Nesta máquina de costura, nunca alinhavei pensamentos, lembro de uma mais antiga. Ouvia o barulho dos pedais rangendo, enquanto uma irmãzinha pedalava e outra contava belas histórias .
Este é parte do meu universo, vinde a mim oh criancinhas!
Denize Domingos
quarta-feira, 19 de novembro de 2014
Alinhavando Pensamentos
...e conhecendo gravatai atravez das lendas
Quando alinhavo pensamentos, me enrosco nas massarocas dos fios que vou tecendo. Como uma aranha, presa na própria teia, me perco nas histórias ou me encontro dentro delas. Só sei que faço parte desse mundo inventado. Sou um pedacinho desta imensa colcha de retalhos costurada dia a dia. Queria que ela fosse alegre, colorida e grande o suficiente para agasalhar o mundo inteiro.
Negras
sombras
A Mucama do solar dos Bina
Aqui na
aldeia dos anjos em época de negras sombras, alguns escravos serviram a bons
senhores, também tiveram apoio de solidários abolicionistas.Mas a pele escura
marcou-lhes mais que o ferro em brasa, com o símbolo de seus poderosos
senhores. Os amores vividos pelos negros em senzalas, a eles não pertenciam. Só
a dor permanecia em seus peitos, quando eram afastados das tristes escravas. Também
arrancavam de seus braços as pequenas cativas crianças, para as mães amamentarem os filhos brancos, nascidos nas casas grandes. No porão
do antigo solar dos bina, onde abrigavam os escravos, conta-se que em noites
tão escuras quanto a pele do mais puro descendente africano, escuta-se a triste
cantiga de uma gentil mucama que ninava uma linda sinhazinha chorona. A escrava
teve seu filho vendido a um capataz de longe, para ela cuidar da menina chorona. A criança tinha
fortes dores de barriga por que o leite branco da mucama negra, azedou. Ficou
salgado como as lagrimas vertidas de seus tristes olhos, deslizando em seu rosto,
caindo sobre seus peitos, sugados pela pequena sinhazinha, enquanto ouvia tristes canções de ninar.
A canção da
sinhazinha
Foi simbora
o capataz
Carregando um fio meu
Sinhazinha num
sabia
meu leite
num era seu.
Liberdade,
io num tem
Esperança,
se perdeu.
Noite quente,
fica fria
se não embalo fio meu.
Io não durmo
Io só choro
Choro com a sinhazinha.
Coitadinha num
sabia
O leite num
era seu.
Preto velho
mãe Maria
traz um dia
fio meu
Faiz capataz devolve ele pra mim.
Denize Domingos
Luiz Gonzaga
Assum preto
domingo, 9 de novembro de 2014
ALINHAVANDO PENSAMENTOS
... e autografando na feira do Livro, sábado dia 08, usando o vestido que eu fiz, com babados e rendas, na fabrica de fantasias.
Hoje, não tenho vontade de escrever sequer uma dedicatória ou pregar um botão. As vezes , não consigo costurar panos nem alinhavar pensamentos, porque quebra a agulha ou arrebenta a linha. Para quem gosta de criar histórias ponto a ponto, isso é pior do que
espetar o dedo.
quinta-feira, 30 de outubro de 2014
Alinhavando Pensamentos
Denize Domingos
As Aventuras
de Luíza
Uma Noite de
Trovoadas
A noite prometia ser longa, trovoadas e raios ameaçavam
partir o céu em mil pedaços. A pequena cozinha no fundo da casa toda
em madeira, tornava-se mais aconchegante quando os pais de Luíza reuniam-se com as filhas
em torno da mesa. A janta era habitualmente servida antes da novela das oito, mas naquela
noite, foi diferente. Uma grande tempestade
aguçava a imaginação de Luíza. A ansiedade provocada pelo barulho da chuva, vento, ranger de
galhos, estalos das taboas, chilhindar das folhas, era como ouvir a sinfonia de
uma emocionante aventura. Tudo pareceu ganhar
vida, no momento em que um estrondoso
barulho, apagou todas as luzes . Logo foi acesa uma vela. O casal sabia que o
estrago na rede elétrica tardaria a ser
consertado. A refeição já estava pronta, e depois que todos comeram, a mãe de Luíza organizou a louça. O pai das
meninas, gostava de assustá-las formando sombras na parede. Mas apenas Luíza não percebia que os coelhos, gatos ,
jacarés e outros animais misteriosamente
surgidos nas paredes , eram efeitos da habilidade com as mãos, que o pai, exímio datilografo e desenhista, gostava de praticar.
Assustada, a menina via as irmãs rindo dela.
Tentava disfarçar o medo que sentia daquelas extranhas criaturas sem contornos
nem cor. O pequeno toco de vela, aos poucos, cedia lugar a negra cortina, cobrindo
os brinquedos, rostos, moveis e as janelas, onde em dias ensolarados, a criança,
com cinco anos, via a luz entrar, encorajando-a e convidando a desvendar o mundo. Por mais que ela desejasse, não havia
como evitar, era hora de todos irem dormir. A caminha com grades da irmã mais
nova, foi destinada a Luíza, em troca de uma boneca e alguns gibis. Ali, ela sentia-se
segura, sabia que as sombras da noite
não conseguiriam tocá-la. Para sua vergonha, ela fazia xixi na cama. Olhava para o peniquinho ao lado,
próximo, sem coragem de chegar até ele. Todos pensavam que Luíza tinha o
sono pesado, ou problema nos rins, bexiga... Sem poder beber liquido antes de
deitar-se, ela sentia sede e custava a dormir. Naquela noite como de costume, ficou acordada até tarde, ouvindo o barulho da
chuva, imaginando o frio que fazia lá fora, tapada embaixo das cobertas, tentando
se esconder dos vultos que via passar diante dela. O vento, empurrava um galho
de pessegueiro batendo-o compassadamente contra a janela ao lado da cama. Luíza espantada, viu a
veneziana se abrir, e passaram por um buraco no vidro quebrado, quatro pequeninos
homenzinhos. Usavam roupas xadrez, longos chapéus, ficando todos ao lado de sua cama, sem olharem para ela. Estava acostumada a sentir medo, ver sombras semelhantes
a pessoas moverem-se nas paredes, caminhando pela casa. Mas aqueles homenzinhos, ela nunca tinha visto
e não a assustaram. Ela os observou atentamente,
durante os breves instantes que estiveram ao seu lado. Distraiu-se por segundos e tudo sumiu. Assustada, chorou, chamando a mãe, que levou-a para dormir junto dela. Novamente, a menina viu os pequeninos, desta vez, olharam para
ela, sem que percebesse como eles foram
embora. Assim que amanheceu, Luíza acordou com os gritos do pai, perguntando quem
havia rasgado uns documentos guardados em sua pasta. Luíza falou que os homenzinhos
com pontudos chapeuzinhos, tinham rasgado os papéis ao lado dela, colocando-os
picados dentro do peniquinho. O pai ficou muito intrigado, não perguntou mais nada, saiu para o trabalho
em silencio. A mãe, ouviu a menina com
atenção, beijou-a com carinho, dizendo que acreditava nela. Luíza nunca
esqueceu deste sonho, ou da visita que espera
se repetir um dia. Ela cresceu acreditando em bruxas, fantasmas, duendes e fadas.
Deixa sempre uma janela aberta para que possam entrar.