Artista tira férias?
Não farei retrospectiva do ano, antecipada a mensagens
natalinas, nem agradecimento às pessoas que incentivaram meu trabalho diretamente, sendo fundamentais, fazendo
parte deste universo sensível. Cito com reconhecimento, aquelas clientes da
Brink atelier, que me procuram quando precisam de um presente especial, e
aquelas que continuaram me prestigiaram (depois
que virei escritora) com a presença no cotidiano, eventos e Feiras, ou enviaram mensagens de entusiasmo. Além
destes, sem citar nomes, refiro o
fundamental auxilio na publicação da obra mais recente; Janelas para o Mar. Estas
pessoas queridas, atenciosas, amigos, familiares, admiradores, não são publico induzido pela indústria midiática que fabrica
artistas, financia suas obras, coroa alguns talentos, e também descobrem
vocações; são meus apoiadores, incentivando a artista fecunda, não motivada
pelo lucro.
Mais me encanta a criação do que a obra publicada.
Este foi pra mim, um ano também fecundo, como minha mente aguçada que não sossega
ao embalo de uma rede, e a luz iluminando minhas ideias, não se apaga qual a chama de
uma vela.
Tenho toque nas mãos quando não estão desenhando, digitando,
pintando, fazendo arte ... As vezes, ainda sinto falta de ter perto minha menina,
criança, enleando os fios de seda entre
meus dedos quando afago seus
cabelos. E fico feliz vendo-a linda,
mulher livre, que me abraça sem perder o
ar de menina.
A paz esta comigo, a plenitude me encontra passeando de mãos
com meu par, eterno companheiro, presente em todas as horas. Visito e recebo familiares e verdadeiros amigos em meu lar, o coração é
grande, a casa é pequena, só cabe pessoas humildes que se curvam na passagem da toca de um coelho.
Na rua, um mundo a parte, ando protegida numa bolha de
cristal, não impenetrável, mas filtrando energias. Meu carro, deixo na garagem, não perco tempo
procurando vaga em estacionamento rotativo. Esta sou eu, e um pouco de todas as mulheres, soberana em meu universo, metamorfoseada em
alguns aspectos, mantendo o DNA de fêmea transgênica ,
reforçando a coragem da fera mansa,
que só ataca pra se defender.
Minha homenagem, aqui neste espaço reservado ao universo feminino, à um dos poucos músicos, compositores geniais, brasileiramente lindo, que sempre enalteceu a mulher, merecendo estar aqui. Cantou a paixão emocionada, urgente, visceral, sem vaidades, profundo, simples, elevado, nunca referindo-se a mulher de forma leviana, como objeto de prazer. Este, é o principal autor da trilha sonora da minha vida, no radio do carro, rodando no vinil me enchendo de música , também cantada com as meninas do coral, em Cachoeirinha, vendo as estrelas e horas passarem sem pressa, sentadas na escadaria da Caixa Estadual. Final dos anos 70, até qui, apos mais de trinta anos, continuamos cantando juntas, nas trilhas da vida.
